O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Francisco Sá Cavalcante, e o delegado-geral da Polícia Civil, Fernando Olegário, deram uma entrevista coletiva na manhã de terça-feira (25) para prestar esclarecimentos sobre o acidente aéreo ocorrido na madrugada de segunda-feira no município de Cantá, em que o piloto da aeronave seria o empresário Vibaldo Nogueira Barros. Vivi, como é conhecido, estava preso há mais de um ano no Comando de Policiamento da Capital (CPC) e fugiu no domingo passado.

O perito odontolegista Tiago Pedroso deu as explicações técnicas sobre a análise da arcada dentária do corpo carbonizado encontrado no Cessna 210. Ele disse que, em comparação ao que foi apresentado como imagem de Vibaldo é “100%” compatível com o cadáver que estava nos destroços do monomotor.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de que os restos mortais não sejam de Vivi, Pedroso afirmou que essa hipótese ficaria sob a responsabilidade do inquérito policial.

“Eu não poderia afirmar isso. A nossa competência se encerra no momento em que a gente faz as comparações de imagem entre o que nos foi apresentado e o que a gente tem no evento pós-morte. Tudo que for periférico a isso, se emitíssemos opinião, seria apenas uma ilação, uma conclusão extremamente prejudicial para a Polícia, para a sociedade e para o próprio laudo pericial”, afirmou.

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Por diversas vezes, Tiago Pedroso fez questão de salientar que a certeza dele sobre o cadáver ser de Vibaldo Nogueira baseava-se nos dados que foram apresentados e na comparação entre a mandíbula da suposta vítima antes e depois da morte. “Esses elementos que foram encontrados em porção da mandíbula da pessoa carbonizada são indícios de implantes dentários e que nos fazem afirmar de forma categórica tratar-se do mesmo indivíduo”, disse.

Segundo Pedroso, boletins de implante dentário e raios X de Vibaldo foram conseguidos menos de 24 horas depois que policiais e peritos roraimenses fizeram contato por e-mails e telefone com um cirurgião dentista de Minas Gerais, que teria feito o tratamento do empresário nos últimos anos.

“O perito legista, o odontolegista e o perito criminal são partes de um conjunto da Polícia Civil e por isso tem o seu caráter investigativo. Em função disso, nós buscamos as informações e conseguimos um telefone. Pelo código de área, descobrimos que é um número de Minas Gerais. Fizemos contato com um dos cirurgiões-dentistas e, em seguida, com outros dois que também atenderam o Vivi”, garantiu.

De acordo com o odontolegista, os profissionais consultados deram informações sobre o ex-paciente Vibaldo e enviaram por e-mail imagens digitais dos implantes. Ainda conforme ele, essa troca de informações entre os peritos e os dentistas colaborou para que se determinasse em tão pouco tempo a quem pertence a arcada dentária analisada.

Pedroso garante que, apesar das evidências apresentadas por ele, as investigações que vão esclarecer o caso são de responsabilidade da Polícia. “Diante do material probatório, o inquérito policial levará à conclusão”, considerou.

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Entre as informações enviadas por um dos profissionais mineiros, os odontolegistas roraimenses tiveram acesso a um boletim operatório de implantes que foram feitos em Vivi no período de 2002 a 2008, de acordo com Pedroso. “Nós temos um ‘informe’, mas nada de concreto, de que um cirurgião-dentista aqui em Roraima atendeu Vibaldo Nogueira. Estamos investigando para saber quem é ele, a fim de que tenhamos outras informações que ajudem a ilustrar o nosso laudo e elucidar os fatos”, concluiu.

SEGURANÇA

O secretário de Segurança disse que as investigações sobre a fuga de Vibaldo, ocorrida na noite de domingo (23), estão sob a responsabilidade do CPC. “Os policiais militares vão dizer se houve facilitação para a fuga e quem teria ajudado”, disse. Questionado sobre a falta de infraestrutura do CPC para abrigar presos comuns, Sá Cavalcante informou que o prédio não foi construído para ser presídio. “A Secretaria de Justiça tem essa informação.

As ‘celas’ são para militares sob regime disciplinar”, afirmou. Na verdade, o que existe nas dependências do Comando são salas improvisadas ou adaptadas para a custódia de presos, segundo informou um militar.

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Ele ainda confirmou que as investigações sobre o acidente estão sendo conduzidas pelos técnicos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) vindos de Manaus e a Polícia Civil está à frente do inquérito policial.

DESENTENDIMENTO

O delegado-geral, Fernando Olegário, disse que ainda não estava a par da discussão ocorrida, no dia do acidente, entre o delegado-titular de Cantá, Maique Evelyn, e o comandante do Corpo de Bombeiros, Leocádio Menezes, e presenciada pela imprensa. Mas ele fez questão de ressaltar que esse é o tipo de acontecimento que não merece destaque e não deve atrapalhar o foco das investigações. Ele informou que o delegado continua à frente do caso.

Sobre o helicóptero que teria pousado na região, instantes depois do acidente, Olegário afirmou que isso também vai ser apurado. “Vamos ouvir testetemunhas, saber quem de fato estava na aeronave. Todas as hipóteses serão investigadas”, destacou.

DPJI

O diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (DPJI), João Luciano de Resende Neto, disse que vai presidir o inquérito policial para apuração dos fatos. “As providências iniciais foram tomadas, a começar pela perícia e criminalística da Polícia Civil”, informou.

Sobre a ausência do delegado de Cantá na coletiva na manhã de terça, o titular do DPJC declarou que ele estaria com muitas atribuições nos últimos dias. “Maique está respondendo pelo Cantá e pela região de Santa Cecília, além de ter outros compromissos. Ele estava de plantão e por isso não pôde vir, mas continua à frente do caso”, garantiu.

Por telefone, o delegado Maique Evelyn disse ao Roraima Hoje que não foi comunicado sobre a entrevista coletiva.

“Meu telefone está ligado 24 horas por dia. Eu não recebi nenhuma ligação me convidando para essa reunião e não sei por qual motivo isso aconteceu”, disse. Perguntado se ainda está responsável pelas investigações do acidente, ele informou que até o momento não houve nenhuma decisão contrária. “Eu estou à frente do caso, as investigações estão sendo conduzidas por mim. Se houver determinação para que eu entregue, eu o farei”, destacou.

Em relação às informações oficiais de que a arcada dentária é a de Vibaldo Nogueira, Evelyn afirmou que o inquérito está em curso e há ainda muito a ser investigado. “Não desrespeito e nem duvido do trabalho dos peritos que divulgaram esses dados, mas eu só vou afirmar que se trata do empresário quando for comprovado através de exame de DNA”, concluiu.

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