Vila Kennedy receberá a terceira UPP da Zona Oeste na quinta-feira, 13

By | March 11, 2014

Foto: Thiago Lara / Agência O Dia

Foto: Thiago Lara / Agência O Dia

Fonte: O Dia

Rio – O anúncio da ocupação policial na quinta-feira para a futura implantação da 38ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na Vila Kennedy e na Metral, em Bangu, renovou as esperanças de quem se acostumou a sobreviver em meio aos constantes tiroteios entre facções rivais em disputa pelo controle do tráfico. A região é uma das mais violentas do Rio.

Esta será a terceira UPP da Zona Oeste — as outras são Batan e Cidade de Deus — e estava sendo esperada ansiosamente por moradores. A medida também representa alívio para motoristas que trafegam naquele trecho da Avenida Brasil, uma das principais vias do Rio. No bairro há tiroteios frequentes entre bandidos.

Há duas semanas, ônibus foram incendiados no local, em protesto contra a morte de um jovem atingido por um tiro na cabeça. Abalado pela morte do amigo Alexander da Silva Ramos, um estudante de 17 anos diz estar otimista. “Estou triste, porque sinto a falta do meu amigo. Quase todo dia, escuto tiro. A situação só melhora com a presença da lei.”

Ontem, a cúpula da PM passou a tarde reunida no Quartel-General traçando a tomada da região. A ação vai contar com o aparato do Comando de Operações Especiais (COE) da PM: os batalhões de Operações Especiais (Bope), de Choque e de Ações do Cães (BAC) e Grupamento Aero-Móvel (GAM), que dará suporte à operação com o helicóptero blindado.

Um homem de 31 anos, que mora na Vila Kennedy desde a infância, guarda as lembranças da violência. Na adolescência, voltava da escola com dois amigos quando teve um fuzil apontado para o seu rosto na Favela da Coreia, em Senador Camará, perto de Vila Kennedy. Percebeu que seus comparsas arrastavam o corpo de um jovem, amarrado pelos pés e mãos a um tronco. Há três anos, viu uma grávida e um jovem serem mortos. “Não tem como esquecer. Meu filho de dois anos estica o dedinho e diz: ‘pou, pou’, fingindo atirar. Vivemos com medo.”

A implantação da 38ª UPP ocorre num momento em que a Secretaria de Segurança enfrenta problemas na pacificação das favelas do Rio, principal projeto do governo do estado. Em dois meses, 11 PMs foram baleados em ataques em áreas pacificadas e três morreram em um mês.

 



 

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