Tráfico do Morro do Chaves recruta crianças como soldados da ADA

By | January 7, 2014

adolescente-traficanteFonte: Jornal Extra

No Morro do Chaves, em Costa Barros, as pipas, bolinhas de gude e o pique-esconde ficaram no passado para parte das crianças da favela. Elas deixaram de lado o estudo e as brincadeiras e passaram a trabalhar desde cedo: ostentando armas, meninos com idades entre 12 e 17 anos já atuam como soldados do tráfico.

Ontem, durante uma operação com objetivo de prender ladrões de cargas na favela, policiais do 41º BPM (Irajá) bateram de frente com um grupo de nove menores de idade — o mais novo, de 12 anos, seguido por outro de 13, dois de 14 e mais cinco de 17. Aos 14 anos, um deles portava uma metralhadora e atirou contra os policiais antes de tentar fugir. Todos foram apreendidos. Com eles, os PMs encontraram duas metralhadoras, duas pistolas, 500 trouxinhas de maconha e a mesma quantidade de cocaína. Douglas Oliveira dos Santos, de 19 anos, e Isac Bruno dos Santos Melo, de 24, que davam cobertura ao bando, também foram presos.

— É triste ver que o tráfico consegue coptar esses meninos, que viraram verdadeiras máquinas de matar: aos 12 anos, já portam armas pesadas e tentam matar policiais — lamentou o comandante do 41º BPM, tenente coronel Luiz Carlos Leal.

Na 39ª DP (Pavuna), onde a ocorrência foi registrada, a chegada do grupo surpreendeu até os agentes da distrital. Na hora de tirar as fotos para as fichas criminais, os meninos brincavam em frente à fita métrica que serve de pano de fundo e disputavam quem era o mais alto. Segundo agentes, alguns dos garotos participaram da última empreitada da quadrilha que domina o Morro do Chaves: uma invasão à Favela do Muquiço, em Guadalupe, no dia 31 de dezembro.
Invasão

Desde o último dia 30 de setembro, o Morro do Chaves é dominado pela facção que também ocupa o Morro da Pedreira. De madrugada, a quadrilha invadiu o local, que antes era ocupado por traficantes do Complexo do Chapadão. Para o tráfico, a favela tem uma função estratégica: é a única da região com acesso à Avenida Brasil, rota de escoamento de drogas.

Desde então, quem dá as ordens na favela é Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy. Além de arregimentar crianças para aumentar os lucros com vendas de drogas, o chefão gosta de ostentar: em num perfil no Facebook, o traficante mostra um jipe Range Rover importado e motos. Ele também posta imagens de seu símbolo — na verdade, a apropriação de um personagem infantil: uma estátua do Menino Maluquinho, criação do cartunista Ziraldo, com uma coroa na cabeça e um fuzil nas costas.

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