Traficantes da Nova Holanda prometem vingança por criminosos mortos no Complexo da Maré

By | June 26, 2013

traficantes-nova-holanda-2Fonte: O Dia

Rio – Inspirados no sucesso das manifestações convocadas pelas redes sociais, mas sem o mesmo intuito positivo, homens que seriam traficantes da Nova Holanda comemoravam a morte do sargento do Bope, lamentavam a de suspeitos e organizavam pelo Facebook atos de violência em repúdio à operação do Bope.

Sem medo da exposição, suspeitos exibiam fotos em seus perfis e já se mostravam organizados. Em tom de ameaça, um suposto criminoso que se identifica como ‘Tatajuba Silva’ prometia ataque em massa contra os policiais de madrugada.

Já o ‘Menor Rai’ postou vídeo de policiais falando sobre a dificuldade de trabalhar em morros. Outros torciam pela recuperação de bandidos feridos.

O professor Carlos Nepomuceno, 53 anos, que é especialista em mídias sociais e leciona há 10 anos no MBA do Coppe/UFRJ, comentou o tema:

“Pedófilos já utilizam essa ferramenta há muito tempo. O projeto de terrorismo do 11 de Setembro, nos Estados Unidos, também foi articulado pela internet”, relembrou o professor. Ele acredita que o Brasil terá que criar antirredes inteligentes para desarticular essas organizações.

Guerra às vésperas de ocupação

Às vésperas de uma ocupação definitiva pelas forças de segurança na Maré, a guerra entre policiais e traficantes ontem naquele conjunto de favelas deixou rastro de nove mortos, protestos e revolta de moradores ilhados pela violência.

Os confrontos mais intensos foram travados a partir da noite de segunda-feira, quando policiais dos batalhões de Choque e de Operações Especiais (Bope) tentaram reprimir arrastão promovido por bandidos da Nova Holanda.

A morte de um sargento da tropa de elite desencadeou megaoperação que cercou a Maré com 400 agentes de quatro unidades por tempo indeterminado.

Entre os mortos, ao menos três moradores da comunidade: José Everton Silva de Oliveira, 21, o garçom Eraldo Santos da Silva, além de adolescente de 16 anos. O tiroteio durou cinco horas e podia ser ouvido da Avenida Brasil, onde muitos moradores permaneceram durante a madrugada de ontem, sem conseguir chegar em suas casas.

 

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Alguns pontos da favela ficaram sem luz. A Força Nacional de Segurança deu apoio à operação.

A ação da polícia em busca dos assassinos do policial Ednelson Jerônimo dos Santos Silva, de 42 anos, foi criticada por moradores e representantes de ONGs que atuam no complexo. Eles fizeram dois protestos, um deles pacífico, no interior da Nova Holanda.

“A mesma rajada de tiros atingiu nosso policial, o morador que morreu e deixou algumas pessoas feridas”, alegou o major Ivan Blaz, porta-voz do Bope.

À espera de laudos

A Divisão de Homicídios (DH) — que assumiu as investigações sobre as mortes — e a 21ª DP (Bonsucesso) fizeram perícias. “Se houve excesso, será reprimido. Se houve legitimidade, vamos legitimar a ação. Mas temos que esperar os laudos. A investigação não acabou”, disse o delegado Rivaldo Barbosa, da DH.

O subprocurador-geral de Justiça de Direitos Humanos e Terceiro Setor, Ertulei Laureano Matos, se reuniu nesta terça-feira com moradores e a deputada estadual Janira Rocha (Psol), numa ONG na favela.

O Ministério Público solicitou à Light a religação da luz imediatamente. A visita foi acompanhada pelo procurador Márcio Mothé Fernandes.

Perícia é acompanhada por defensores de Direitos Humanos

A perícia no local foi acompanhada por membros do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública e do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos do estado.

“Há muitas marcas de bala e sangue, projéteis pelo chão e portas arrebentadas. Com certeza, foram mortos em casa. Vamos acompanhar para saber se houve execução”, afirmou o defensor Henrique Guelber.

Três menores foram apreendidos, e três homens, presos. Eles estariam com drogas e pistola. Edvan Bezerri, o Ninho, de 29, foi interrogado sob suspeita de ter matado o sargento.

“Ele estava dormindo comigo, não há provas. Tive que trocar de roupa na frente de PM e levei tapa na cara”, disse a mulher do suspeito, de 15, grávida.

 

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Foto: Severino Silva / Agência O Dia

 

Protestos na Av. Brasil e na comunidade

Nesta terça-feira, dois protestos foram registrados na Nova Holanda. No primeiro, 100 crianças e adolescentes tentaram fechar a Av. Brasil. Os PMs dispersaram o grupo com bombas de gás. Jovens gritavam palavras de ordem contra as UPPs.

Pouco depois, moradores e representantes de ONGs fizeram diferente: marcharam na Rua Teixeira Ribeiro, carregando faixa preta com a frase: ‘A polícia que reprime na avenida é a mesma que mata na favela’.

 

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Esse não está comemorando nada porque morreu

 



 

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