Traficante Johnny estabelece toque de recolher na favela da Rocinha

By | November 8, 2013

Fonte: Jornal Extra

Pelo menos cinco moradores da região conhecida como Valão, na parte baixa da Rocinha, contaram nesta quinta-feira à equipe de reportagem do EXTRA que traficantes estabeleceram, desde a última sexta-feira, um toque de recolher no local. Segundo o relato dos três homens e duas mulheres, diariamente, por volta das 21h30m, um traficante armado passa pela localidade avisando aos moradores, aos gritos, que quem está na rua precisa entrar em casa porque “o tiroteio vai começar”.

 

Foto: Simone Marinho / O Globo

Foto: Simone Marinho / O Globo

 

— O homem passa, a pé e aos berros, dizendo que a hora de circular na comunidade acabou e que a partir das 22h só quem fica na rua é policial e traficante — contou um dos moradores, que não quis se identificar.

No Valão, fica localizada a maior boca de fumo da Rocinha. Segundo investigações que culminaram na Operação Paz Armada, a venda de drogas no local arrecada cerca de R$ 30 mil por mês.

O dono da boca de fumo é John Wallace da Silva Viana, o Johnny, que herdou o comando da quadrilha que domina a parte baixa da favela após a prisão de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem. Segundo fontes no serviço reservado da UPP, a Rocinha vive uma guerra entre duas facções. Luiz Carlos Jesus da Silva, o Djalma, rompeu há dois meses com o grupo de Johnny e levou seus aliados para a parte de cima da favela. Uma moradora conta que testemunhou um tiroteio entre bandidos:

— Conseguimos perceber que existe um movimento no tráfico pelas funções de liderança. A briga é entre eles mesmos, perto das bocas. Por isso, eles passam mais tempo armados, até à luz do dia.

Academia fechada às 21h30m

Um morador do Largo do Campinho, na parte baixa da favela, conta que anteontem, às 21h, estava numa academia de musculação na Dioneia, quando um traficante, armado com um fuzil, passou em plena Estrada da Gávea mandando todos os estabelecimentos comerciais fecharem. Minutos depois, já vazia, a academia fechava.

— Tudo na Rocinha está fechando cedo. Quem fazia hora extra, hoje não faz mais. Às 21h, as ruas estão às moscas. Os moradores estão com medo — contou um frequentador da academia. Segundo ele, os tiroteios são diários.

Os confrontos, entretanto, não acontecem somente na parte baixa da comunidade. Como o EXTRA mostrou na última terça-feira, as duas facções que disputam o controle do tráfico na favela também entraram em confronto, na última terça-feira, no Laboriaux, parte mais alta da Rocinha. No local, funciona a maior refinaria do tráfico da favela, em poder da quadrilha de Djalma.

O barraco pertence ao traficante Ricardo Santos Rodrigues da Silva, o Ricardinho 157, um dos 16 denunciados pelo MP após a Operação Paz Armada. Ricardo fazia parte da grupo de Johnny e a droga produzida no local era vendida pelos traficantes da parte de baixo. Em agosto, entretanto, após uma briga com um dos gerentes de Johnny, Ricardo passou para o lado Djalma.

 



 

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