Protesto se transforma em onda de arrastões da Cidade de Deus até a Barra da Tijuca

By | June 22, 2013

Fonte: O Globo

RIO — Pelo menos quatro pessoas foram presas e sete menores foram detidos, na noite desta sexta-feira, em manifestação realizada na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Durante o protesto, vândalos aproveitaram para fazer um arrastão e saquear uma concessionária na Avenida Ayrton Senna, na Zona Oeste, na altura da Cidade de Deus. Mais de 20 pessoas invadiram a loja e destruíram vários automóveis. Eles quebraram as portas de vidro e roubaram objetos do interior do estabelecimento. Um dos baderneiros carregou uma TV nas costas. A maioria estava com mochilas e usava camisas para esconder os rostos. Pelo menos dois carros da PM chegaram a parar em frente à loja, mas o grupo conseguiu fugir. Entre os presos, três estavam conduzindo motocicletas sem habilitação, e um é acusado de dano ao patrimônio. Um dos menores é acusado de furto e, os demais, de usar arma branca. Todos foram encaminhados à 32ª DP (Taquara). A manifestação na Barra terminou por volta das 20h30m.

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Na Barra, assustados com a confusão na Avenida Ayrton Senna, motoristas dirigiam em alta velocidade para escapar de grupos de baderneiros. Há informações de que ônibus foram atacados. A Polícia Militar chegou a reforçar o policiamento na região e fez um cordão de isolamento para tentar prender os bandidos. Já a manifestação dos moradores foi acompanhada por 30 homens do 31º BPM.

Os comerciantes da Avenida Ayrton Senna, na altura da Vila Olímpica do Pan, na Zona Oeste do Rio, já calculam os prejuízos após os arrastões promovidos pelos vândalos. O posto Ipiranga, localizado na via, teve diversos vidros da loja de conveniência e o lava-jato quebrados. Proprietário do posto, o empresário André Afonso estima o prejuízo foi de aproximadamente R$ 10 mil. André conta que os vândalos chegaram a tentar roubar gasolina do posto para botar fogo em barricadas, mas os frentistas conseguiram impedir.

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O coordenador de vigilância da Vila do Pan, Miller Neto, contou que alguns vândalos chegaram a parar veículos na Avenida Ayrton Senna, munidos com pedaços de paus e pedras, e levaram alguns pertences.
O protesto chegou à Avenida das Américas, onde manifestantes se sentaram no asfalto para pedir que o movimento continuasse sem violência. O objetivo do grupo era ajudar os PMs a identificar os vândalos que invadiram a concessionária.

– Algumas poucas estão aproveitando as manifestações pacíficas para roubar e depredar o patrimônio público – disse Neto.

Durante a passeata, cerca de 15 manifestantes tentaram invadir a Cidade das Artes, antiga Cidade da Música. Eles gritavam que queriam conhecer o estabelecimento, tiraram grades e entraram no jardim do local, que fica no entroncamento das avenidas das Américas e Ayrton Senna. Policiais militares pediram a saída dos manifestantes e foram prontamente atendidos.

protesto-cidade-de-deus-barra-3Por volta das 20h30m, um grupo protestava na Avenida Armando Lombardi, próximo à ponte da Joatinga, na Barra da Tijuca. Segundo os policiais, como o número de pessoas era pequeno, eles tentavam negociar para que a ato acabasse e as vias fossem liberadas.

A Avenida Ayrton Senna, no sentido orla, e a Avenida das Américas, para o Recreio dos Bandeirantes, tiveram o trânsito liberado por volta das 19h40m, de acordo com a CET-Rio. Também foram liberados os acessos da Linha Amarela, no sentido Barra da Tijuca.

Alguns camelôs aproveitaram para ganhar dinheiro durante as manifestações, vendendo bandeiras do Brasil e máscaras do personagem do filme “V de Vingança”, por R$ 10. Morador de Madureira, Douglas dos Santos, de 34 anos, disse que vendeu 50 bandeiras do Brasil durante o percurso.

O industriário Silas Matos, de 56 anos, levou a filha Ives, de 13, para acompanhar a passeata. Morador da Barra, ele considera os atos que ocorrem no Brasil legítimos, e acredita que as manifestações vão continuar:

— Estudei em colégio público e hoje não posso colocar minha filha numa escola da rede estadual ou municipal. O ensino piorou muito nos últimos anos. Enquanto nada mudar, o povo tem que continuar nas ruas.
Mais cedo, a estudante Lorena Aguiar, de 19 anos, disse que o ato foi marcado pleo Facebook, onde 6 mil pessoas confirmaram presença.

— Pagamos um absurdo em impostos e temos uma saúde e uma educação muito precárias. Está na hora de mudar isso — disse a jovem.

Horário do rush antecipado

O protesto na Barra antecipou o horário do rush. Com medo de violência, muitas empresas decidiram liberar seus funcionários mais cedo. Muitos moradores das comunidades Rio das Pedras e Cidade de Deus precisaram caminhar pela acostamento da Ayrton Senna, por conta do enorme engarrafamento.

Com medo de atos de vandalismo, estabelecimentos comerciais da Ayrton Senna colocaram tapumes para a proteção de fachadas. Uma churrascaria, uma academia e um mercado também tomaram esse tipo de precaução. Devido ao chamado para o protesto, algumas lojas e shoppings da região optaram por fechar as portas mais cedo nas avenidas das Américas e Ayrton Senna. O shopping de luxo VillageMall decidiu encerrar as atividades ao meio-dia. O Barra Shopping, por exemplo, um dos maiores da cidade, informou que por medida de precaução fecharia às 14h. Em nota, o complexo BarraShopping/ New York City Center informou que só retornarão às 10h de sábado. O Rio Desing e Recreio Shopping também fecharam às 14h.

 



 

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