Operação Parasitas: fiscais sanitários corruptos pagariam comissão à milícia de Guaratiba

By | October 8, 2013

Fonte: Jornal Extra

RIO – A Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Draco) investiga uma suspeita de associação entre a milícia que atua na Zona Oeste e os 27 fiscais da Vigilância Sanitária da prefeitura presos, na última quinta-feira, acusados de extorquir dinheiro de comerciantes. Uma das hipóteses é que os fiscais pagassem uma comissão aos milicianos para poder atuar na área sem sofrer represálias.

A possível ligação surgiu de uma denúncia, repassada por um informante à Draco, de que houve uma reunião entre milicianos em Guaratiba na sexta-feira, dia seguinte ao da operação. No encontro, eles teriam até discutido a hipótese de atentados contra dois integrantes do alto escalão da Vigilância Sanitária. Isso porque a milícia suspeita que a denúncia à polícia que originou as investigações teria partido desses funcionários.

 

Eduardo-de-Nigris-fiscal
Veterinário Eduardo de Nigris – Foto Fernando Quevedo / Agência O Globo

 

— Nós recebemos a denúncia e vamos verificar se pode ser confirmada. Mas um dos fatos que chamaram a atenção da equipe da Draco foi termos encontrado cerca de R$ 800 mil na casa de um dos acusados (Luiz Carlos Ferreira de Abreu) e ele morar justamente na Zona Oeste (Campo Grande) — explicou o delegado Alexandre Capote.

Segundo a Draco, dos 27 fiscais presos na Operação Parasitas, pelo menos três já estariam em liberdade, beneficiados por habeas corpus. O processo corre em segredo de Justiça na 42ª Vara Criminal.

Na operação, mais três pessoas foram presas: dois empresários, que pagariam comissões aos fiscais quando eram indicados para fazer reformas em estabelecimentos comerciais, e um gari cedido para o Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman.

Segundo as investigações feitas com interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, a quadrilha movimentaria até R$ 50 milhões por ano. O relatório final da Draco sobre o caso, no entanto, faz uma ressalva: a polícia não descarta a hipótese de envolvimento de mais fiscais. Dois deles, incluindo Eduardo de Nigris, que foi preso no sábado após voltar de Miami, tinham cargos de chefia. Hoje, o Diário Oficial publica a exoneração dos dois servidores com data retroativa a quinta-feira passada.

Segundo as investigações, a prefeitura chegou a instituir, sem sucesso, um rodízio entre as regiões de atuação dos fiscais, na tentativa de acabar com a cobrança de propina. Um dos beneficiados com o esquema não concordou com o rodízio. Em novembro de 2012, o município tentou transferir Pedro Henrique Alexandre Neto do escritório da Barra para o Centro. Pedro entrou na Justiça contra a medida, alegando ter problemas de saúde que o obrigavam a trabalhar perto de casa e conseguiu uma liminar para impedir a mudança.

 



 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *