Milhares de manifestantes apoiam movimento dos professores no Centro do Rio de Janeiro

By | October 7, 2013

claudia-costinFonte: O Dia
Por Felipe Freire e Amanda Raiter

Rio – Pelo menos oito mil pessoas marcham, na noite desta segunda-feira, na Avenida Rio Branco em direção à Cinelândia, em protesto contra a truculência da Polícia Militar e à falta de iniciativas efetivas do poder público para melhorias definitivas na situação dos professores e das escolas da cidade e do estado.

Estão presentes, principalmente, profissionais das redes estadual e municipal e alunos. Carregando faixas e cartazes, os ativistas não desanimaram com a chuva que caiu sob a cidade no começo da noite. Um grupo de black blocks permanece à frente do protesto. O clima é de tranquilidade até o momento. Apenas uma viatura do 5º BPM (Praça da Harmonia) acompanha a manifestação.

Diversas vias ficaram interditadas para a passagem do protesto. A Rua Pio XI e o acesso à Rio Branco, bem como quatro pistas da Avenida Presidente Vargas, no sentido Candelária, ficaram fechadas até a altura da Rua Primeiro de Março. Agentes da CET-Rio e Guarda Municipal controlam o tráfego nos trechos.

80 mil marcaram presença pela internet

A repressão dos protestos pela educação do Rio causou uma reação imediata na Internet. Neste clima, quase 83 mil pessoas confirmaram presença no principal evento que chama a população para a manifestação de apoio aos educadores. “Esse ato é em apoio à luta dos profissionais de educação e do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação – SEPE. Eles são os protagonistas dessa luta e nos ajudarão a formular a pauta. Se você é contra a greve dos professores, não entende sua função na luta por uma educação de qualidade e não entende o direito dos professores de fazerem greve, talvez esse ato não seja para você”, diz o texto do evento. Confira abaixo as pautas do protesto.

 

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Pauta da educação municipal:

1 – Pelo cancelamento imediato da votação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários votado no dia 1º de outubro, à portas fechadas e sem diálogo com a categoria.
2 – Pelo direito a manifestação dos profissionais de educação.
3 – Contra o Projeto meritocrático e neoliberal de Eduardo Paes para a educação.
4 – Por um Plano de Cargos discutido com a categoria e que represente todos os profissionais da educação.

Pauta da educação estadual:

1 – Plano de carreira para funcionários.
2 – Uma matrícula, uma escola – que cada professor se dedique a uma escola.
3 – Um terço da carga horária para planejamento de aulas.
4 – Gestão democrática com eleição direta para diretores.
5 – Fim dos exames meritocráticos(SAERJ)

Pautas gerais:

– Mais democracia, menos violência policial e pela liberdade de manifestação.

Beltrame reconhece excessos

O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, reconheceu no último sábado que houve excessos por parte da PM na manifestação dos professores ocorrida no último dia 1º, durante votação do Plano de Cargos e Salários do magistério municipal pela Câmara dos Vereadores.

“Na minha opinião, em alguns casos, principalmente os que estão revelados publicamente, houve excessos. Mas também tenho que dizer que se houve intransigência e excessos dos policiais, isso veio de duas partes, da polícia e de alguns manifestantes. Nós temos 15 pessoas que precisaram de atendimento médico, nove delas são policiais. Houve, sim, preliminarmente, excesso dos policiais, mas esse excesso veio também, por vezes, dos dois lados”, disse Beltrame, em conversa com jornalistas, durante evento de ação social, no Jacarezinho, na Zona Norte.

Além de diversas cenas de violência policial contra os representantes dos professores e também de manifestantes ligados aos black blocs, imagens mostradas posteriormente comprometeram a PM, como a de policiais alegando injustamente que um jovem carregava um morteiro em sua mochila, um outro policial flagrado em cima do prédio da Câmara jogando objetos contra os manifestantes e a foto de um PM no Facebook, mostrando um cassetete quebrado com a legenda “foi mal fessor”.

“Os três casos estão sendo analisados. Não estamos em uma ditadura. Não se pode, através de uma fotografia, expulsar um policial. A imagem é importante, ela fala por si, mas não se pode sumariamente demitir ou fazer uma punição a um policial. Não quero, absolutamente, defender policiais, até porque já expulsamos mais de mil e quinhentos”.

Beltrame disse que a polícia vai agir para preservar o direito de manifestação dos professores, mas o secretário não quis garantir que equipamentos como gás e balas de borracha não serão utilizados.

“A polícia está ali para garantir a manifestação. Os equipamentos de uso, como gás e bala de borracha, acreditem os senhores, são um avanço. Porque anos atrás você tinha o cassetete e o escudo. Hoje você tem outros equipamentos. A questão toda é: quando, como e por que usar esses equipamentos. Se uma manifestação ocorrer pacificamente, a polícia militar está ali para garantir isso. A manifestação é do processo democrático e a obrigação da PM é garantir isso.”

 



 

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