Irmãos John e Jonivaldo Santa Rosa, falsos professores de karatê, espancam alunos em Belém

By | February 4, 2013

Além de bandidos são feios pra cacete.

 


 

Fontes: G1 e R7

Uma adolescente, que preferiu não se identicar, conta que foi agredida pelos professores de karatê durante as aulas na associação de moradores do Conjunto Pedro Teixeira, no bairro do Coqueiro, em Ananindeua, na região metropolitana de Belém.

“Quando tinham lutas, ninguém podia beber água durante uma hora e meia de treino. Ninguém podia encostar a coluna na parede. Nós tínhamos que ficar com as pernas trançadas, o que causava até muitas vezes dormência, dores. A forma de correção dele era o kiba-dachi, que eram os famosos socos na barriga. Ninguém podia bocejar, eu não podia bocejar que ele já perguntava se eu queria que ele me acordasse e o exame de faixa, depois de eu ter lutado com duas meninas, já estava cansada, ele veio com sequência de cinco socos”, revela.

Matéria do Domingo Espetacular

Na associação de moradores do conjunto Pedro Teixeira, os professores davam aulas há cerca de dois anos para mais de 30 alunos a partir de 4 anos de idade. Segundo a comunidade, eles chegaram até o local informando que faziam parte de um projeto social chamado “karatê na minha vida”, mas ao invés de aulas, os alunos pareciam participar de sessões de pancadaria.

Nas imagens feitas por um cinegrafista amador, um deles aparece levando um chute no rosto de um dos professores. Em outra, um deles pisa na cabeça de um rapaz. Tudo é assistido por crianças.

Assim que tomaram conhecimento do que acontecia nas aulas, pais de alunos ficaram revoltados. “A gente vê que realmente é uma violência contra a criança, contra menores. Eu acho que isso é um ato de covardia que dois professores fazem contra os alunos”, conta um dos pais que não quis se identificar.

Os professores que representam a Associação Shin Hagakure de karatê foram identificados como os irmãos John e Jonivaldo Santa Rosa. Eles também dão aulas no conjunto de moradores Bela Manoela, no bairro do Tenoné, em Belém, onde 60 alunos fazem karatê.

Em um exame de troca de faixa, um dos professores aparece dando socos nos alunos, que parecem não aguentar a dor.

Este adolescente, que teve aulas no local por mais de quatro anos, relata o terror vivido durante esses anos. “Socos na barriga, o que nós chamávamos de Boken, que é uma espécie de madeira que ele tinha. Ele acertava na barriga dos alunos também. Às vezes socos no braço, na posição de flexão de apoio. Chute na perna. Violência na luta também era comum lá. Eu tenho vários dedos fraturados. Se eu fizer qualquer esforço, dói. O estômago, às vezes doía um pouco. Inclusive eu adquiri até um cisto por força, fazer muita força lá”

Takê Machida é professor de karatê, dá aula para crianças e adolescentes e diz que qualquer tipo de violência é contra a doutrina da arte marcial. “A gente preserva bastante o indivíduo porque o nosso maior intuito aqui nas aulas de karatê é realmente a formação do caráter da pessoa. Pregando sempre o respeito ao próximo, o controle da agressividade”, esclarece.

Para piorar, os pais de alunos descobriram que os certificados entregues após os exames de faixa eram falsificados. Em depoimento à polícia, o presidente da Federação Paraense de Artes Marciais confirmou que eles não tinham validade.

O filho de Edila Gomes, que chegou a passar para faixa preta foi surpreendido pela história. “Eu cheguei a passar vergonha porque quando eu cheguei na federação com o certificado, as pessoas da federação disseram ‘Não tem como. A senhora ia passar vergonha com esse certificado se a senhora chegasse com isso em outra academia. O seu filho não é faixa preta'”.

O presidente da Federação Paraense de Karatê Olímpico disse que os dois professores acusados de agressão chegaram a procurar o órgão, mas não foram aceitos. “Pela atitude, pela arrogância, pela má postura, nós não aceitamos”, disse Pedro Yamaguchi

A polícia abriu inquérito para investigar o caso. “Eles podem responder por falsidade ideológica em virtude do uso indevido do certificado da passagem de faixa preta, uso de documento falso, além de estelionato, que é um crime mais grave. Além da prática de tortura, se for confirmado no inquérito policial”, afirmou a autoridade policial.

“A gente fica bastante chateada, bastante indignada. A gente acaba descobrindo que nada, nada, até mesmo o que ele ensinou, muitas coisas não eram verdadeiras né?”, confessa uma das alunas.

Os professores acusados de espancarem os alunos não foram encontrados para falar sobre o caso. Eles devem prestar depoimento ainda nesta terça-feira (22) na seccional da Icoaraci, distrito de Belém.

 



 

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