Comando Vermelho e ADA ignoram a existência da UPP e travam guerra pelo controle da Rocinha

By | November 5, 2013

rocinhaFonte: Jornal Extra

Um ano e dois meses depois de sua inauguração, a UPP da Rocinha vive uma situação corriqueira em áreas sem a presença da polícia: há pelo menos dois meses duas facções rivais brigam pelo controle do tráfico de drogas da favela pacificada. Na parte alta da favela, Luiz Carlos Jesus da Silva, o Djalma, ex-gerente de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, se ressentiu por não ter herdado o controle do tráfico na comunidade após a prisão do chefe, em novembro de 2011.

Há pelo menos dois meses, o traficante rompeu com a facção e passou a arregimentar soldados do tráfico, que chegam do Alemão e da Penha. O setor de inteligência da UPP já foi informado.

Já John Wallace da Silva Viana, o Johnny, que herdou a liderança da quadrilha após a prisão do traficante Nem, tenta manter o poder, mesmo contando com menos fuzis e um lucro menor do que seus novos adversários. PMs da unidade já notaram a estratégia de defesa de Johnny: a arregimentação de traficantes do Morro do Dezoito, em Água Santa, que passaram a ser vistos na favela desde o mês de junho.

Numa escuta do dia 23 de junho, que faz parte do relatório de gravações da Operação Paz Armada, obtido pelo EXTRA, um PM infiltrado no tráfico da Rocinha confirma com um traficante que “tem gente do Morro do Dezoito na área”. Segundo PMs da UPP, a guerra entre facções tinha data certa para começar: 13 de julho, mesma dia do início da operação. Foram os PMs infiltrados na quadrilha que aconselharam agentes da 15ª DP (Gávea) a realizarem a ação na madrugada do dia 13, para evitar um confronto.

Entretanto, no último final de semana, dos três tiroteios ouvidos por moradores da Rocinha entre sábado e domingo, pelo menos um — ocorrido na madrugada de sábado — aconteceu entre traficantes rivais, por conta de uma tentativa de invasão na Rua 1.

A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) só confirma que houve uma troca de tiros no final de semana. O confronto, entre policiais e criminosos, aconteceu às 6h30m de domingo. Na ocasião, PMs viram suspeitos armados na parte alta da Rua 1 e houve tiroteio, sem feridos.

“PM desviou cinco fuzis”, disse traficante

Numa escuta que faz parte do relatório da Operação Paz Armada, um traficante afirma a um homem identificado como policial civil que o soldado Rodrigo Avelar desviou cinco fuzis do tráfico na Rocinha. O PM trabalhava infiltrado na quadrilha.

No diálogo, gravado em 18 de julho, quatro dias após a sessão de tortura que terminou com a morte de Amarildo de Souza, o bandido pede ao suposto agente para “perguntar ao policial safado onde ele colocou o AK-47 e os quatro fuzis 762”. O traficante se referia a Avelar, desmascarado pelo tráfico cinco dias antes, dia em que a operação foi executada. Durante a operação, o PM não apresentou fuzis na 15ª DP.

O soldado Rodrigo Avelar negou, em entrevista ao EXTRA, ter desviado armas ou drogas da favela. Segundo ele, os fuzis foram desviados por traficantes rivais.

Confira a entrevista do soldado Rodrigo Avelar na íntegra:

 

Você desviou dinheiro ou armas durante a Operação Paz Armada?

Não, todas as apreensões que fiz estão registradas na 15ª DP. Tudo foi apreendido. Os bandidos pagavam R$ 1 mil por semana e, quando as bocas faturavam bem, pagavam R$ 2 mil ou mais. Toda semana eu mesmo levava esse valor à DP.

E quanto aos cinco fuzis?

Essas armas foram desviadas por traficante rivais da favela. Foram bandidos da parte de cima da Rocinha que roubaram os fuzis e levaram para o outro grupo. O bandido me culpou porque se sentiu traído por mim, que me fingia de parceiro para conseguir informações.

Após o fim da operação, você foi ameaçado por traficantes?

Sim, um dia depois da operação, um casal atirou contra a minha casa. Na mesma hora, fui à DP para registrar a ocorrência. Os responsáveis já foram identificados. O trabalho de três meses infiltrado só me trouxe aborrecimentos. Depois de arriscar a minha vida, nem promovido a cabo fui.

 

 



 

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