Chefes do tráfico no Complexo do Lins fugiram para o morro do Chapadão com 40 fuzis

By | October 13, 2013

Complexo do Lins

Complexo do Lins

Fonte: Jornal Extra
Por Rafael Soares

Madrugada de domingo, último dia 6, por volta das 5h. Enquanto policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) chegavam ao Complexo do Lins, na Zona Norte, para ocupar a região, cinco vans lotadas subiam o Morro do Chapadão, em Costa Barros. Nos veículos, 50 bandidos armados com 40 fuzis, pistolas e granadas. O grupo vinha justamente do Lins e representava só uma parte do total de criminosos que fugiu da ocupação policial. De acordo com o setor de inteligência da 39ª DP (Pavuna), a debandada do Lins começou na terça-feira anterior à ocupação e levou ao Chapadão chefões do tráfico como Luís Cláudio Machado, o Marreta, Cláudio José de Souza Fontarigo, o Claudinho da Mineira, e Ricardo Chaves Castro de Lima, o Fu.

— O Complexo do Chapadão é o novo QG da maior facção do tráfico da cidade — analisa Márcio Mendonça, titular da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD).

Marreta foi o primeiro do grupo a chegar à Pavuna. Após ser baleado na perna direita por um tiro de fuzil disparado por um PM do Bope na mata entre os complexos do Lins e da Covanca há três semanas, o traficante peregrinou por várias comunidades até chegar ao Chapadão, na quarta-feira, dia 2. Sua chegada foi comemorada com churrasco, com direito à bebida liberada e salva de tiros para o alto por toda a noite. Entretanto, seu estado de saúde é frágil: já chegaram à 39ª DP relatos de que o ferimento é grave e o chefão corre risco de amputação. Agentes da distrital já monitoram médicos do bairro, que sobem o morro para prestar atendimento ao traficante.

Já Claudinho e Fu chegaram ao morro na madrugada da última terça-feira. Enquanto a PM fazia uma blitz na Av. Brasil, a dupla pegou um atalho pela Estrada do Camboatá e subiu o morro pela Rua Manhama. Fu está ferido há um mês com um tiro de fuzil que tomou numa das operações do Bope no Lins antes da ocupação. Há cerca de um mês, os dois estavam presos na penitenciária federal de Porto Velho, Rondônia. Após serem beneficiados com a progressão de pena para o regime semiaberto, voltaram ao Rio. Antes de chegarem ao Chapadão, ambos tentaram voltar a seu território de origem, o Morro da Mineira, mas foram expulsos pela facção rival.

Conflito é iminente

A chegada do reforço de pelo menos 50 bandidos ao Chapadão vai acirrar a disputa territorial já em curso nas favelas de Costa Barros e Pavuna. A apenas 500 metros, no cordão de favelas formado pelos morros da Pedreira, Lagartixa, Final Feliz e Gogó da Ema, uma facção rival constituiu seu maior QG na cidade, após a ocupação de favelas outrora dominadas pelo grupo, como a Rocinha.

Há duas semanas, traficantes da Pedreira invadiram o Morro do Chaves, em Barros Filho, antes dominado pela quadrilha do Chapadão. O novo bando ainda não comercializa drogas no local, por conta do risco de nova invasão, mas uma trincheira com 30 traficantes armados já foi montada no alto do morro. Para a polícia, a retomada é considerada estratégica para a facção do Chapadão: a favela era a única dominada pelo grupo com acesso à Avenida Brasil, uma das rotas de escoamento de drogas.

Marreta levou tiro de fuzil na perna

Marreta levou tiro de fuzil na perna

Mal estar

O tempo de permanência de Marreta no Chapadão não deve ser longo. A chegada do traficante no local não foi bem recebida pelos traficantes ligados a Luis Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau, ex-chefe do tráfico do complexo. Depois que foi preso, em outubro de 2012, Bacalhau nomeou um traficante de apelido Fiel como novo chefe. Entretanto, no início do ano, um bandido ligado a Marreta, Robson Aguiar de Oliveira, o Binho, tomou o controle do morro. Traficantes ligados a Nando Bacalhau já receberam o aviso do chefe de dentro da cadeia: Marreta não é bem-vindo lá.

Segundo informações da 39ª DP, Marreta está escondido na localidade da Matinha, às margens da Av. Brasil. O bandido, inclusive, já escolheu a favela para onde vai quando se recuperar: o morro Jorge Turco, em Rocha Miranda, na Zona Norte.

Motoristas

Para organizar o transporte de armas, drogas e dinheiro do Lins para o Chapadão, os traficantes contrataram pessoas responsáveis exclusivamente pelo translado dos bandidos. Agentes da DCOD prenderam, no domingo passado, Antonio Elismar Ribeiro de Oliveira, o Pará, de 30 anos, e Sergenildo Mesquita Rodrigues, o Botão, de 41 anos. As investigações revelaram que, na terça-feira, dia 2, ambos levaram, em picapes, dez traficantes com pelo menos uma metralhadora e drogas para o Chapadão. Na ocasião, os dois conseguiram fugir de uma perseguição na Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá.

O paradeiro do ex-chefão do Lins, Paulo César Souza dos Santos, o Paulo Muleta, ainda não é conhecido pela polícia. O bandido é considerado o mais rentável traficante da facção, responsável pela maior fatia do lucro.

 

 



 

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