Agentes do Degase relatam sofrer agressões de jovens internados em unidades do Rio

By | May 22, 2013

Fonte: G1

Os relatos de agressão a homens e mulheres que trabalham na reeducação dos jovens detentos do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) vêm aumentando nos últimos 12 meses. As agressões ocorrem em confrontos dos adolescentes contra os agentes ou em brigas entre os internos. A falta de funcionários em relação ao número de detentos é considerada a principal culpada pelo aumento das agressões, que ocorrem em rebeliões ou até mesmo quando ocorrem brigas entre os jovens.

agente degase

Nos três primeiros meses de 2013, a apreensão de jovens infratores no município do Rio mais do que dobrou em relação ao mesmo período de 2012. O aumento é de 107%. Os 800 agentes do Degase não conseguem dar conta. Atualmente, 22 adolescentes em média cruzam os portões todos os dias. O aumento das infrações gera superlotação. Das oito unidades de internação do Rio, sete tem o número de jovens acima da capacidade.

No início de maio, duas fugas aconteceram em uma mesma unidade. Vinte e nove jovens escaparam e 19 foram recapturados.Para os especialistas e os que lidam diretamente com os jovens, esse aumento nas apreensões é um reflexo da atuação das UPPs e da mudança de estratégia do tráfico em áreas pacificadas.

“Talvez uma coisa que apareça com mais frequência hoje em dia seria a situação do adolescente não apenas sendo explorado, Não só como espião do tráfico, mas também participando de uma forma mais efetiva da sua atividade de comércio”, afirma o juiz de direito Marcius C. Ferreira.

O Degase está descentralizando suas unidades para combater a superlotação. Em maio, foi inaugurada a primeira unidade no interior, em Campos, no norte fluminense, com 90 vagas. Mas o número ainda é insuficiente.

Além do envolvimento maior dos jovens com o tráfico, o diretor da instituição, o coronel Alexandre Azevedo, aponta uma outra mudança recente no perfil dos infratores.

“O pico da nossa curva ficava entre 17 e 18 anos. Mas isso há um ano, Hoje a média fica entre os 15 e os 18 anos. Então isso demonstra que está descendo a idade e você olha que são pessoas que precisam de afeto, precisam de escola, precisam de uma série de políticas que a gente se organiza para dar”, afirma.

Relatos de agressões

Um agente que não quis se identificar afirma ter sido vítima de graves agressões. “Na rebelião em que fui feito refém, levei dezoito perfurações de uma arma perfuro-cortante chamada estoque, que é feita com vergalhões arrancados da própria estrutura da construção civil da unidade”, relata um dos funcionários. Ele afirma que vai desistir do emprego.
O agente revela também que os adolescentes exercem práticas cruéis uns contra os outros. “Eles usavam pedras para riscar nomes de facção na pele dos colegas, Muitos deles usam isso para marcar o que eles chamam de vacilão ou X-9. Eles querem que o cara carregue aquela marca”, afirma.

Superlotação

O presidente do sindicato dos agentes (Sindi-Degase), Marcos Aurélio Rodrigues, também culpa a superlotação pelo aumento das ocorrências. “Nós temos hoje um efetivo muito baixo de funcionários, de agentes para dar conta de um efetivo que passa do dobro de adolescentes acautelados pelo Estado”, diz.

“É uma relação tensa porque, por mais que você tenha toda uma programática de atendimento para os adolescentes, isso vai tudo por terra quando você atende até 300 adolescentes quando deveria estender entre 50 e 60. A qualidade do atendimento cai e o risco aumenta muito”, diz.

A informação de que há mais jovens na instituição do que a capacidade partiu do diretor do Degase. No entanto, a assessoria de imprensa do Degase, na tarde desta terça-feira (21) negou que ocorra superlotação. 



 

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