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Segurança Pública Violência contra a mulher

Índia carajá raptada por ciganos em Goiás há quase 8 meses é encontrada em Igarapé, MG

Índia-carajá-raptada-por-ciganosFonte: G1

Depois de quase oito meses desaparecida, a família de uma jovem índia carajá, de 13 anos, encontrou a adolescente. Ela desapareceu no dia 4 de abril, na Aldeia Buridina, município de Aruanã, a 313 quilômetros de Goiânia. A adolescente estava com o grupo de ciganos que a levou em Igarapé (MG). Ela retornou à aldeia por volta das 17h de sexta-feira (23).

Segundo a coordenadora da Comissão Executiva de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Secretaria de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial (Semira), Nelma Pontes, o grupo viajou com a jovem por várias cidades do sul do país e alguns países da América Latina. A coordenadora disse também a jovem sofreu agressões físicas e psicológicas.

“Ela relatou que sofria violência de vários tipos. Era obrigada a pedir dinheiro na rua e, caso se negasse, era obrigada a ficar sem comer. Ela tem marcas de violência pelo corpo. Também sofria violência psicológica e ameaça. Eles diziam que iam matar a família dela e que mãe não se importava com ela. Mayara também apanhava por não ceder às tentativas de abuso sexual”, contou a coordenadora ao G1 na tarde deste sábado (24).

Agora, a adolescente passa por acompanhamento psicológico. O avô dela, cacique Raul Maury dos Santos, contou que a menina, apesar de tudo que passou, está bem: “Vejo que ela está bem à vontade, com jeito de brincalhona que sempre teve”.

Tráfico de pessoas

A jovem foi encontrada depois de uma briga com um adolescente do grupo de ciganos. “Ela brigou com esse menino e as pessoas que viram chamaram a polícia. A polícia registrou o Boletim de Ocorrência [BO] e acionou o Conselho Tutelar. Então, ela contou ao conselheiro como tinha ido parar com o grupo de ciganos”, relatou Pontes.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) foi acionada e entrou em contato com a Semira, que desde abriu acompanhava as buscas pela adolescente. De acordo com Nelma Pontes, na polícia foi registrado um BO por tráfico de pessoas, mas quando os policiais retornaram ao local onde Mayara foi encontrada, o grupo de ciganos já não estava no local. Até este sábado, ninguém havia sido preso.

O avô da jovem sente-se aliviado por ter encontrado a neta. “Para mim é uma alegria tê-la de volta em casa. É um sentimento que não tem como descrever. Vemos muita história de violência e estávamos vivendo um pesadelo”, lembra o cacique Raul.

Desaparecimento

Segundo o delegado de Aruanã, Marcos Vinicius da Costa Júnior, a família contou que no dia do desaparecimento, os suspeitos, dois homens e uma mulher, estiveram na aldeia e tentaram convencer a mãe da garota a deixá-la ir a uma festa em uma fazenda da região. Ela se negou e chegou a receber dois colares banhados de ouro como presente. A mulher contou que o grupo, não satisfeito com a negativa, insistiu que ela deixasse Mayara seguir com eles até uma sorveteria.

Após a permissão da mãe, a menina seguiu com uma amiga até a sorveteria e depois não foi mais vista. A amiga ficou na sorveteria e não foi levada pelo grupo, pois se negou a entrar no carro dos suspeitos.